METAMODELO E A PRODUÇÃO DE PROVAS

metamodelo e a produção da prova

 

METAMODELO E A PRODUÇÃO DE PROVAS

 

 

Hoje vamos dar foco a um assunto que se mostra de grande importância quando nos referimos à produção de provas, mais precisamente, a instrumentos de grande utilidade no que tange a se aproximar o máximo possível da clareza e verdade das provas inseridas no processo para tomada de decisão mais assertiva por parte do órgão julgador. Trata-se do metamodelo e a metamodelagem, ambos instrumentos da neurolinguística.

Mas, o que seria metamodelo ou metamodelagem? Veremos a seguir.

No livro “A Estrutura da Magia I”, obra de Bandler e Grinder, publicado nos Estados Unidos em 1975, traduzido para o português em 1977, entendemos metamodelo como o meio pelo qual o indivíduo busca exteriorizar suas representações interiores, traduzindo e exteriorizando seu modelo de mundo.

Bandler e Grinder sustentam, com isto, que o indivíduo, aos exteriorizar seus pensamentos, o faz através do chamado “mapa do mundo” que ele possui, considerando aqui vários fatores culturais e ambientais.

Esse processo também é como modelo linguístico “exterior”, através do qual usamos a linguagem propriamente dita e o comportamento, como sistema representativo para comunicar a outros a nossa percepção do mundo, criando assim, um modelo da nossa experiência.

Alguns postulados conceituam metamodelo como o processo pelo qual utilizamos a linguagem para representar ou exteriorizar a nossa experiência interna de fatos e acontecimentos.

Trata-se de um processo “particular”, cada um tem uma percepção distinta do outro, nunca igual.

Assim, no processo do metamodelo, usamos a linguagem para exteriorizar nossa representação interna de nossa experiência num processo social. Temos então, como diz os dois pesquisadores americanos, a “representação representada”, resultando no “modelo de um modelo”.

Como colocado logo atrás, essas experiências internas exteriorizadas através da linguagem, trata-se de processos singulares, ou seja, nunca igual de indivíduo para indivíduo.

O indivíduo se utiliza de espécies de filtros que promovem a modificação dessa realidade em que ele está inserido. Basicamente, estamos submetidos a três filtro: restrições neurológicas, restrições sociais e restrições individuais. Veremos um a um.

As chamadas restrições neurológicas são o primeiro grupo de filtros que distinguem o mundo singular para cada indivíduo. Estes filtros neurológicos são determinados geneticamente, colocando os seres humanos num patamar diferenciado de outros animais.

Quando falamos nas restrições sociais nós temos que entender que, como membros de um sistema social, estamos expostos a vários filtros, aquilo que Bandler e Grinder chamam de “os óculos impostos”. Chamamo-los de fatores genéticos sociais, oriundos de uma genética social inserida naquele meio onde o indivíduo nasceu, cresceu e se tornou parte. Esses fatores genéticos sociais, nada mais são, do que as “ficções” aprovadas socialmente.

Agora por derradeiro, vamos falar das percepções individuais. Elas são todas as experiências internas que criamos baseadas na nossa história pessoal de vida como seres humanos. Cada indivíduo tem singulares experiências de crescimento como pessoa, portanto, cada um terá sua história de vida. Aqui destacamos nossas crenças, valores e até mesmo os traumas pessoais.

Fazendo um paralelo com a produção da prova no processo ou até mesmo fora dele, podemos perceber que as restrições mencionadas acima devem ser consideradas pelo juiz e pelas partes no momento de sua análise.

Ora, a linguagem usada pelo indivíduo não traduz a verdadeira realidade que se encontra a sua volta, mas sim, a percepção de mundo que cada indivíduo terá conforme seus filtros. Essa percepção da realidade como subjetiva e particular, orienta as ações humanas, cada uma a sua maneira, de forma generalizada, eliminada e distorcida frente ao “mundo real”.

Costuma-se afirmar de forma bastante fria que o processo busca a verdade dos fatos. No processo penal busca-se, ainda mais, a chamada verdade real, como se ela fosse apenas a representação fria de uma realidade objetivamente vivida pelo indivíduo.

Ora, o sujeito que presta um depoimento ou a vítima que se vê diante do magistrado, não pode ser considerado um simples “robô” ou um mero “degravador” de fatos, pois, para ele, aquilo tornou-se uma experiência. Além disto, mesmo esta experiência deve ser compactuada com os filtros ou restrições acima mencionadas.

O magistrado e as partes devem ter esta sensibilidade no momento da colheita e análise da prova. Esta tarefa mencionada acima diz respeito àquilo que costumamos chamar de metamodelagem, que será objeto de análise em artigo posterior.

A mensagem que se pode tirar deste artigo é que todos os envolvidos numa tentativa de solução de um conflito, seja ele judicial, extrajudicial, familiar, no ambiente de trabalho, entre amigos etc., devem ter a noção de que o sujeito vive ou viveu uma experiência e que ela é “recheada” – digamos assim – de filtros ou restrições das mais variadas espécies e, portanto, devem ser “dissecadas” pelo observador através de técnicas adequadas.

 

 

(Este texto contou com a colaboração de Isabel C. F. Bolque – Presidente do Instituto MindLaw de Neurolinguística Forense)

 

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