Os Profissionais do Direito e a Análise do Comportamento Humano

Os profissionais do Direito e a Análise do Comportamento Humano

Os Profissionais do Direito e a Análise do Comportamento Humano

 

 

Quando nos referimos às atividades dos profissionais do Direito sempre teremos que levar em conta a importância da análise das provas trazidas a juízo.

Dentre essas provas temos as documentais, as testemunhais e as periciais. Quando tratamos das provas documentais e periciais estamos falando de um processo mais objetivo.

Agora, quando falamos das provas testemunhais, devemos levar em consideração a subjetividade de cada um ao relatar o que lhe é exigido durante o testemunho.

Neste contexto, cabe a nós a conscientização de que para o operador do Direito existe a grande necessidade de analisar e compreender o comportamento daqueles que estão sob o juramento de dizer a verdade, mas também aos réus para poder obter um caminho de questionamentos que leve o mais próximo possível da verdade dos fatos.

Mas o que seria este comportamento mencionado acima?

Comportamento vem a ser um conjunto de reações de um indivíduo face a uma situação sob a qual foi submetido e em face do meio social. Faz parte deste conjunto de reações as ações de um indivíduo, sentimentos, pensamentos e falas.

E como seria possível a análise do comportamento humano?

Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra análise significa:

 

…a decomposição de um todo em suas partes constituintes ou o exame de cada parte de um todo, para conhecer a sua natureza, ou ainda a determinação dos elementos que se organizam em uma totalidade, dada ou a construir, material ou ideal.

Todos os dias, todos nós, realizamos vários tipos de análises: morfológicas, sintáticas, léxicas, clínicas, de comportamentos e assim por diante, em várias áreas do conhecimento.

A análise de comportamentos é feita a todo instante por todos nós no dia a dia… fazemo-la tão automaticamente que nem percebemos.

Existem vários tipos de análises comportamentais.

Para entendermos melhor a análise de comportamento, necessário se faz compreender as três áreas. São elas: a) a parte teórica de sua história, filosofia, chamada Behaviorismo Radical; b) a parte empírica, baseada na análise experimental; e c) recursos criados e administrados com o fim de promover a análise do comportamento.

Quem analisa o comportamento? Todas as pessoas de certa forma, como já havia citado alhures.

Há aquelas que analisam corriqueiramente e aquelas que analisam cientificamente. Estas são as analistas de comportamento, são pesquisadores e profissionais da área que analisam cientificamente, mantendo registros e tentando criar padrões de comportamento para melhor entendermos as reações humanas diante de determinadas situações.

Mas qual a importância da análise de comportamento para o órgão julgador e as partes?

Reside no fato de que quanto mais esses profissionais do Direito estiverem envolvidos com as técnicas e da compreensão em si da análise comportamental, melhor serão os recursos que terão para exercer sem equívocos suas atividades.

Cumpre salientar que, o que se vê hoje, são profissionais do Direito preocupados apenas com papeladas, documentos físicos, tecnologia.

Claro… tudo isto também faz parte do processo, mas eles acabam se esquecendo do principal, da observância e análise do comportamento do indivíduo envolvido na questão, não importando a posição no processo deste indivíduo.

Tratando-se de pessoa humana cumpre frisar que a observação do comportamento é de extrema importância, podendo mudar o rumo que se leva as decisões.

Só para se ter uma ideia da importância da análise do comportamento humano no processo, segundo o Professor Albert Mehrabian, o qual, juntamente com outros colegas da University of California, Los Angeles (UCLA) realizou em 1960, a comunicação interpessoal se dá na proporção de 7% para a fala, 38% para a tonalidade da voz e 55% pela linguagem corporal.

Isto é espantoso porque os profissionais do Direito basicamente se esquecem de promoverem uma análise do comportamento humano e principalmente da linguagem corpora da pessoa, quer seja ela testemunha, réu, vítima, conciliada, mediandos etc.

A crítica aos profissionais do Direito deve ser seguida de uma solução: cursos voltados a estes profissionais que os ensinem a promover a análise do comportamento e da linguagem corporal e não apenas o famoso tripé lei-doutrina-jurisprudência.

 

(Este artigo contou com a colaboração de Isabel C. F. Bolque – Presidente do Instituto MindLaw de Neurolinguística Forense)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *